Repercussões da pandemia da covid-19 no brincar de crianças pré-escolares
Resumo
Introdução: As medidas de isolamento e distanciamento social decorrentes da
pandemia da COVID-19 geraram restrição ao domicílio e mudanças na rotina e no
envolvimento das pessoas em suas ocupações. O brincar, uma das ocupações mais
relevantes na primeira infância, oportuniza desenvolvimento motor, cognitivo e
psicossocial. O contexto pandêmico pode ter interferido no envolvimento de
pré-escolares na ocupação brincar, o que pode ter causado prejuízos ao
desenvolvimento. Objetivo: Descrever as repercussões do contexto pandêmico para
a ocupação brincar de pré-escolares com 3 anos de idade. Métodos: Trata-se de
estudo quantitativo, descritivo e transversal. Participaram 35 familiares responsáveis
por crianças de 36 a 47 meses de idade, residentes na cidade do Rio de Janeiro,
que responderam questionário online e autoaplicável com perguntas sobre
mudanças na rotina de ocupações cotidianas das crianças ocorridas entre março e
junho de 2020, incluindo o brincar e ocupações correlatas, como atividades físicas,
interação com pares e uso de telas. Foi realizada análise estatística descritiva
simples. Resultados: Modificações no brincar foram reportadas por 91,4% dos
participantes, as mais recorrentes foram: diminuição ou ausência de brincadeiras em
ambientes externos (77,1%), maior demanda da presença do adulto para brincar
(65,7%), ausência de brincadeiras com pares (57,1%) e aumento do tempo
brincando em eletrônicos (54,3%). Foram apontadas alterações nas atividades
físicas das crianças (80%), com destaque para diminuição importante desta prática
(62,9%). Todos os participantes constataram diminuição na interação da criança com
os pares, dos quais 40% referiram ausência. Foi identificado aumento do uso de
telas pelas crianças (88,6%), com acréscimo de três horas ou mais por dia para a
maioria (54,3%). Discussão: As alterações observadas na rotina do brincar e de
ocupações correlatas, associadas ao aumento da criança em atividades envolvendo
telas, sugerem que o brincar de pré-escolares foi bastante afetado na fase inicial da
pandemia. O contexto pandêmico diminuiu a qualidade, quantidade, diversidade e
envolvimento de pré-escolares em brincadeiras relevantes para faixa etária, o que
pode atuar como força despotencalizadora do desenvolvimento infantil.
Considerações Finais: Desdobramentos da pandemia afetaram a participação de
pré-escolares em uma de suas ocupações mais importantes, o brincar,
configurando-se como vivência adversa ao processo de desenvolvimento infantil.
Assim, serviços responsáveis por proteger a primeira infância devem acompanhar
mais eficazmente esse processo para minimizar prejuízos decorrentes dessa
experiência. Recomenda-se ainda, a realização de mais estudos sobre as
consequências dessa situação para o desenvolvimento infantil.